Os benefícios de escrever um diário, hábito que tem funções terapêuticas

Ter o hábito de escrever é ótimo para organizar os pensamentos, sentimentos e se conhecer mais a fundo. Em muitos casos, inclusive, ter um diário (ou um simples caderninho de anotações) funciona como válvula de escape para diferentes situações estressantes no dia a dia. Para saber mais sobre os reais benefícios da escrita - que costuma ser usada para fins terapêuticos -, nós conversamos com o psicólogo, psicanalista e escritor Igor Teo. Ele deu ótimas dicas para quem tem dificuldade de se soltar na escrita e falou sobre os principais benefícios de escrever um diário de forma rotineira. Vale a pena conferir!



Quais os principais benefícios de escrever um diário?


Embora pareça ser um hábito simples, escrever em um diário de forma regular traz enormes benefícios para a saúde mental a longo prazo. Por isso, registrar nossos sentimentos e percepções individuais se transforma em um processo catártico muito importante, onde podemos nos expressar de forma mais pura, como explica Igor Teo.


Ajuda a organizar pensamentos, desejos e planos pessoais


Antes de tudo, o psicólogo destaca como o processo de escrita é importante para que o indivíduo consiga se expressar e até se planejar melhor em diversos aspectos. "Escrever ajuda a organizar nossas próprias ideias. E com ideias não me refiro apenas aos pensamentos, mas a tudo aquilo que podemos estar sentindo, desejando, tudo aquilo que nos afeta", afirma Igor Teo.


Promove um maior processo de autoconhecimento


Para que esse processo terapêutico de escrever um diário realmente dê certo, é muito importante tentar fazê-lo da forma mais regular possível. De acordo com Igor Teo, esse é um dos pontos mais importantes nesse caso. "Escrever todos os dias pode ser uma ferramenta para manter um 'relato de si', um histórico do que a gente vem sentindo e construindo dia após dia. E, se fazemos isso todos os dias (ou quase todos), naturalmente nos tornamos mais íntimos de nós mesmos", destaca o psicanalista.

"Algo que muitas vezes nos incomoda e causa angústia, e que geralmente não sabemos colocar em palavras, de repente fica cada vez mais fácil de falar sobre, já que estamos exercitando uma proximidade com nossas próprias emoções. O autoconhecimento, a percepção mais íntima de si, nossas emoções e ideias, faz com que sejamos mais autênticos com nossos desejos e criativos nas respostas que precisamos dar à vida", complementa o profissional.


Como começar a escrever de forma mais fácil?

Desprenda-se dos autojulgamentos para escrever de forma mais livre


Muitas pessoas têm dificuldade de colocar no papel seus pensamentos e sentimentos. De acordo com o psicanalista, a principal dica para se livrar desse impeditivo é se desprender dos autojulgamentos. "Creio que o mais importante é não julgar aquilo que pensamos ou sentimos. Geralmente, acreditamos que certas coisas são melhores ou piores que outras. Então, com medo de sermos julgados, reprimimos aquilo que realmente sentimos antes mesmo de pensar verdadeiramente sobre isso", explica.


Defina uma rotina e a forma de escrita que preferir


Segundo o psicólogo Igor Teo, esse processo de organizar a escrita é bastante individual e pode ser relativo, de acordo com as preferências de cada um. "É importante ter em mente que um diário é algo para si. Não estamos escrevendo para os outros, para que eles vejam ou pensem coisas sobre nós. Nesse sentido, a escrita de um diário pode ser vista como um compromisso consigo mesmo. Cada pessoa vai encontrar sua própria maneira de fazer isso: o horário do dia mais adequado, o tipo de caderno, a quantidade de linhas, que tipo de coisas escrever... não há regras. Podem ser até poemas", afirma.

"O mais interessante é que você crie suas próprias regras e, se quiser, ainda pode mudá-las depois também. Só não devemos impedir o fluxo de nosso próprio processo com demandas e crenças que não são nossas, isso é o mais importante", finaliza o especialista.


* Igor Teo (CRP05/48957) é formado pela em Psicologia pela UERJ