Baixa representatividade feminina na política é um obstáculo a ser superado nas eleições de 2022

Mulheres são 52% da população, mas quando o assunto é política, sua representação ainda é baixa. Em 2018, apenas 290 das 9.204 candidaturas femininas foram eleitas. Ou seja, apenas 16,20% do total de acordo com dados do TSE. O resultado, no entanto, simbolizou um avanço: foi maior que em 2014.


A expectativa de crescimento desses números para as eleições 2022 encontra obstáculos. De acordo com levantamento feito pela ‘Folha de S.Paulo’, apenas 1 em cada 7 pré-candidaturas para governos estaduais são femininas. Até o momento, são 22 mulheres pré-anunciadas, duas a mais que em 2014. O total de mulheres ainda pode mudar, pois nem todas foram oficializadas pelos partidos.


Para o cargo de chefe do Executivo Federal, esse número é ainda menor. São três as pré-candidatas, sendo Simone Tebet (MDB), Vera Lúcia (PSTU) e Sofia Manzano (PCB), contudo o cenário também pode mudar até o início oficial do período eleitoral.


E se por um lado os partidos devem cumprir a cota de 30% de candidaturas femininas e investir nelas pelo menos 30% do Fundo Eleitoral, aqueles que não destinarem o montante não sofrerão penalidades. Mais do que contraditório, na prática, investir nessas campanhas deixou de ser obrigatório.


A falta de incentivo à representatividade feminina na política dificulta a discussão de pautas femininas, não só as específicas ao gênero, como saúde feminina, maternidade e direitos reprodutivos, como pautas que interferem diretamente no seu relacionamento com o meio, como sustentabilidade, segurança e inclusão. Também contribui para a falta de pluralidade ao debate, invisibilizando raça, etnia, classe social, orientação sexual e identidade de gênero.


Olhando para a educação, elas são mais bem preparadas. De acordo com a pesquisa do Instituto Alziras, 71% das prefeitas têm ensino superior frente a 50% dos prefeitos; 42% têm pós-graduação; 60% já estiveram em outros cargos como vereadoras, deputadas e vice-prefeitas.

A permanência majoritária de homens em espaços de poder tão importantes como os cargos legislativos e executivos acaba por construir uma sociedade baseada nas necessidades e olhar masculino, tirando da equação a igualdade de gênero, bem como o lugar de fala da mulher. Sem o ingresso e crescimento da mulher na política, a sociedade não evoluiu tanto quanto deveria.